segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PÓSTUMO 2

v.m.paes

Lindas flores, tons de branco e amarelo

Nunca disseram nada

Nem saíram do lugar

No céu o sol de um novo amanhecer

Tão escuro feito as noites

Passaram quietas e lentas

Estirado sobre um gramado verde

Na boca sabor de terra

Na terra ficará, para sempre

Algumas lágrimas de quebra-silêncio

Alguns pedaços de quebra-cabeça

As lembranças provam que a vida passou

O preto contrasta com o branco do dia

Matiz singular

De morte e nascimento

Felicidade vestiu luto

Por toda a vida

Certeza fúnebre, única

Doses homeopáticas de esquecimento

O tempo passa e a dor adormece

O corpo alimenta os vermes

Rosas, tulipas, azaléias

Virão com menor freqüência

No final restarão pétalas ressacadas do tempo

Nada de julgamentos

O fim é o começo do avesso

O epitáfio dizia...

“aquele que não descobriu quem era”


sábado, 7 de fevereiro de 2009

MARULHO

v.m.paes

Dois barcos mareados

Nas ondas híbridas do amor

Nas velas vento do afeto

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

PRIMEIRO MOVIMENTO DE SAUDADE

v.m.paes


Hora de partir

O tempo não espera

Um último beijo

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O TREM


v.m.paes

A plataforma, lisa e de estrutura metálica, fantasmas de pessoas semi-mortas num frenético vai e vem, eu agoniado olho para o relógio ansioso pelo trem. Cinco da manhã, já é dia pra muitos, pra mim a noite acaba de começar, no corpo surrado e na alma marulhosa vestígios da madrugada analgésica que passei. Finalmente, lá vem ele, todo “café com pão”, lá vem o trem. Chegou antes do sol. Indiferente. Afinal, depois de tantas essa noite não dormirei com as corujas, nem com ninguém. Corri desesperadamente em direção aos trilhos, saltei. Uma última luz, o farol dianteiro do trem, agora sou nada mais que ninguém.