Lindas flores, tons de branco e amarelo
Nunca disseram nada
Nem saíram do lugar
No céu o sol de um novo amanhecer
Tão escuro feito as noites
Passaram quietas e lentas
Estirado sobre um gramado verde
Na boca sabor de terra
Na terra ficará, para sempre
Algumas lágrimas de quebra-silêncio
Alguns pedaços de quebra-cabeça
As lembranças provam que a vida passou
O preto contrasta com o branco do dia
Matiz singular
De morte e nascimento
Felicidade vestiu luto
Por toda a vida
Certeza fúnebre, única
Doses homeopáticas de esquecimento
O tempo passa e a dor adormece
O corpo alimenta os vermes
Rosas, tulipas, azaléias
Virão com menor freqüência
No final restarão pétalas ressacadas do tempo
Nada de julgamentos
O fim é o começo do avesso
O epitáfio dizia...
“aquele que não descobriu quem era”
