quinta-feira, 21 de abril de 2011

Rosas sobre a cama

ela dispunha rosas sobre a cama
e velas que inflamavam o quarto
acendiam as trancas do tesão
que ela sorria
linda e leviana
enquanto eu me insinuava
num silêncio bandido
de quem nunca havia visto
tão unica beleza
que seduzia e consumia
os minutos que passavam
como se fosse o fim do mundo
ou a flora das galáxias
no segundo em que ela abria-se botão
e gemia hispânica
eu espancava seus medos
e afugentava a timidez
do espartilho
e dos segredos
que revelavam
tão brilhantes
a mulher
dos membros
que gozavam cores
numa eterna ejaculação
dos fogos
freios
feras
e fezes
que trincavam
em amor
a porcelana.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sorriso banguela mordendo navalha

Latejavam as gengivas
que sorriam giletes
anestesias de conhaque
escorriam pelo cabelo
oleoso
e o olhos?
furados e pregados
na parede como moldura
de decoração gótica
o resto dos rostos
perfilados
perfumados pesadelos
que arrastavam o dia
no museu
macabro do cotidiano cinza
que escorregava disenteria
pelo grelo
e pelo sorriso banguela
que mastigava navalha.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Os pezinhos de Vera


Caia morangos
dos pés que
putrefaziam charminhos
nos olhares da cólera que
agasalhava o croquete de Vera
que via, primavera a primavera
vir e ir, na balsa de sua infância
e naufragar na fruteira
doida dos dias
sujos na saia de borracha
e saltos de agulha, que hibernaram
nas veias dos becos e bueiros
de uma nova
metrópole.

terça-feira, 29 de março de 2011

Adeus Lula

Morreu no último sábado (26) uma das mentes mais brilhantes da música popular brasileira, Lula Côrtes. O músico e poeta pernambucano construiu, ao lado de Zé Ramalho, um dos discos mais brilhantes de todos os tempos, o cultuado Paêbiru.

O que me deixa mais triste não é o fato de termos perdido Côrtes e sim o fato de ninguém nem ter percebido. Ninguém se deu conta de que, a marulhosa e única, mente de Lula foi pra nunca mais voltar. Enquanto a mídia repercute assuntos banais, diariamente, além de uma porrada de entretenimento de quinta, o gênio morreu no esquecido exílio dos grandes artistas brasileiros, os grandes artistas que ainda fazem alguma coisa nessa merda de nação valer a pena.

Contendo as lágrimas, encerro por aqui, triste e calado. Peço aos poucos que leem as porcarias que escrevo, para prestar homenagem ao velho Lula, com uma dose de conhaque e um cigarro. Sem mais. Descanse em paz, gênio, num lugar onde as almas geniais devem descansar, no limbo do lúdico. Espero que "qualquer dia desses a gente se encontre, pra bater um papo calmo, um papo calmo, pra ficar calmo".

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