quinta-feira, 6 de maio de 2010

Balinhas de chumbo

O menino, anda, descalço
passeia por entre as pessoas, como se fosse invisível
imprevisível, aquele menino que até alguns minutos atrás não existia
Tira do bolso, com as unhas negras de terra
balinhas metálicas...
bota duas na boca, atira três na vidraça e sai fugido
seu sangue é mais venenoso do que o chumbo
por isso seus passos são pesados e suas palavras tóxicas

Arranja espaço num poço fundo, onde deita toda noite
entre as fezes, os abutres e os diamantes
Dorme, então, em paz
aquele menino
que num parto fórceps
foi tirado do ânus de sua mãe
para entrar no ânus do tempo e da razão.

3 comentários:

Adriana Godoy disse...

Paes, porra! Intensamente bom, intensamente arrebatador. Beijo.

Nátalin Guvea disse...

Eu leio e releio e penso
Quanto mundo em cada frase.

Num canto imundo, a escuridão e tanta subjeção.
Realmente bom, Paes.Depax.

Eu te amo, meu rapaz.

Ana disse...

o menino que derrama com sua repulsa
o que purifica a alma. o que dessolve no sangue santifica sua existencia.
bolinhas de chumbo tmb sanam o coracao? eu acho que sim! vamos quebrar as vidracas e refugiarmos na dor que nos reprime. somos meninos descalcos interagindo com o que nao nos pode deixar ainda mais doentes.

essa fabula as avessas me salvou o dia.
menino vico,continue sem sapatos!(rs)
Beijos, Anita.