segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PÓSTUMO 2

v.m.paes

Lindas flores, tons de branco e amarelo

Nunca disseram nada

Nem saíram do lugar

No céu o sol de um novo amanhecer

Tão escuro feito as noites

Passaram quietas e lentas

Estirado sobre um gramado verde

Na boca sabor de terra

Na terra ficará, para sempre

Algumas lágrimas de quebra-silêncio

Alguns pedaços de quebra-cabeça

As lembranças provam que a vida passou

O preto contrasta com o branco do dia

Matiz singular

De morte e nascimento

Felicidade vestiu luto

Por toda a vida

Certeza fúnebre, única

Doses homeopáticas de esquecimento

O tempo passa e a dor adormece

O corpo alimenta os vermes

Rosas, tulipas, azaléias

Virão com menor freqüência

No final restarão pétalas ressacadas do tempo

Nada de julgamentos

O fim é o começo do avesso

O epitáfio dizia...

“aquele que não descobriu quem era”


4 comentários:

Rodrigo Pqn... disse...

Show Vini s/comentários

esquecido huahuuua
ou, ta na hora de vc muda o nome do meu blog ai, no favoritos hemm
abraçoo
se cuida...

Adriana disse...

Muito bonito seu poema, bem trabalhado "O tempo passa e a dor adormece", mas às vezes, é melhor respirar outros ares que não sejam póstumos. Beijo.

V.M.Paes disse...

Adriana, obrigado pela visita e pelo comentário. É bem mais fácil falar de morte do que de vida, a morte ao menos é certa.

Nátalin Guvea disse...

O fim é o começo do avesso!
Bom demais V.

Eu prefiro falar de vida, mesmo porque é incerta!